O que é
O tetracloroeteno, também chamado de percloroetileno ou PCE (C₂Cl₄), é um solvente clorado líquido, incolor e de odor adocicado. É muito usado em lavanderias de lavagem a seco e na desengorduração de peças metálicas, além de servir como matéria-prima na indústria química. Não ocorre naturalmente e chega à água por vazamentos, descarte incorreto de resíduos e derramamentos em áreas industriais e lavanderias. Por ser mais denso que a água e pouco solúvel, infiltra no solo e pode contaminar aquíferos por longos períodos. É expresso em mg/L ou µg/L.
O que indica e riscos
A detecção de tetracloroeteno indica contaminação de origem humana, geralmente associada a lavanderias, oficinas, indústrias metalúrgicas ou áreas contaminadas próximas ao poço ou ao manancial. A exposição prolongada pode afetar o sistema nervoso, o fígado e os rins, e a Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC) o classifica como provavelmente cancerígeno para humanos. A Portaria GM/MS nº 888/2021 estabelece valor máximo permitido de 0,04 mg/L (40 µg/L). Nos aquíferos, o PCE pode ser degradado lentamente em outros compostos, como o tricloroeteno e o cloreto de vinila, este último ainda mais tóxico. Como é volátil, também pode passar da água contaminada para o ar dentro das casas, durante o banho e outras atividades.
Como tratar
O tetracloroeteno pode ser removido por aeração em torres de arraste com ar (air stripping), muito eficiente por ser um composto volátil, e por adsorção em carvão ativado granular, que costuma ser usada em conjunto ou como etapa de polimento. Processos oxidativos avançados também podem destruir o composto. Em residências e condomínios abastecidos por poço em área suspeita, filtros de carvão ativado certificados para compostos orgânicos voláteis reduzem a concentração, mas a fonte deve ser investigada e a água não deve ser consumida até avaliação técnica. Na indústria e em áreas contaminadas, a remediação inclui bombeamento e tratamento da água subterrânea, extração de vapores do solo e técnicas de degradação no próprio local, química ou biológica, que costumam levar anos.
O tetracloroeteno se tornou o solvente padrão da lavagem a seco a partir de meados do século XX, por não ser inflamável e limpar bem gorduras. Hoje, várias lavanderias no mundo substituem o PCE por solventes alternativos ou pela lavagem a úmido profissional.