Calculadoras de laboratório
As contas de todo dia na bancada de análise de água: diluir amostra, preparar solução, converter unidades, calcular titulação e curva de calibração. Use vírgula ou ponto nos números; o resultado sai na hora.
Diluição (C1 × V1 = C2 × V2)
Preencha três valores e deixe em branco o que quer descobrir. Use a mesma unidade em C1 e C2 e a mesma em V1 e V2.
Como a conta é feita
A quantidade de soluto não muda quando se acrescenta água: C1 × V1 = C2 × V2. Para achar o volume a pipetar, V1 = C2 × V2 ÷ C1. A água a acrescentar é V2 − V1, mas o certo é completar o balão volumétrico até a marca.
Fator de diluição e diluição seriada
Quando a amostra passa da faixa do método, dilua, leia e multiplique pelo fator.
Como a conta é feita
Fator = volume final ÷ alíquota. Em série, os fatores se multiplicam: duas diluições de 1:10 dão 1:100. Concentração na amostra = leitura × fator total, na mesma unidade da leitura.
Massa molar de uma fórmula
Digite a fórmula como no rótulo do reagente. Aceita parênteses e água de hidratação: Ca(OH)2, KH2PO4, Na2S2O3·5H2O, CuSO4.5H2O.
Massas atômicas da tabela periódica do portal (IUPAC).
Preparo de solução a partir de sólido
Quanto pesar para preparar a solução. A massa molar pode vir da fórmula ou ser digitada.
Como a conta é feita
Massa (g) = concentração (mol/L) × volume (L) × massa molar (g/mol) ÷ (pureza ÷ 100). Em g/L ou mg/L a massa molar não entra: massa = concentração × volume. Pese, dissolva em parte da água e complete o balão até a marca.
Diluir ácido ou base concentrada
Volume do reagente líquido concentrado para chegar a uma concentração em mol/L.
Sempre o ácido na água, nunca o contrário. Ponha parte da água no balão, acrescente o ácido devagar, na capela e com luva e óculos, espere esfriar e só então complete até a marca.
Como a conta é feita
Concentração do reagente (mol/L) = teor ÷ 100 × densidade × 1000 ÷ massa molar. Volume a medir = concentração desejada × volume final ÷ concentração do reagente. Normalidade = molaridade × número de H⁺ (2 para o sulfúrico, 3 para o fosfórico).
Mol, massa e massa molar
Preencha dois e deixe em branco o que quer descobrir.
Como a conta é feita
n (mol) = massa (g) ÷ massa molar (g/mol). Um mol tem 6,022 × 10²³ partículas (constante de Avogadro).
Unidades de concentração
Em água, 1 mg/L equivale a 1 ppm e 1 µg/L a 1 ppb (densidade perto de 1 g/mL).
mg/L, mmol/L e meq/L
Para balanço iônico e para somar cátions e ânions do laudo.
Como a conta é feita
mmol/L = mg/L ÷ massa molar. meq/L = mmol/L × carga. Num laudo completo, a soma dos cátions em meq/L deve ficar perto da soma dos ânions (diferença até uns 5 a 10%).
Dureza total a partir de cálcio e magnésio
Converte cálcio e magnésio em dureza como CaCO₃ e mostra a classificação.
Como a conta é feita
Dureza (mg/L CaCO₃) = Ca × 2,497 + Mg × 4,118. Os fatores são 100,09 ÷ 40,078 e 100,09 ÷ 24,305. Classificação usual: até 50 branda, 50 a 150 moderada, 150 a 300 dura, acima de 300 muito dura. O valor máximo para beber é 300 mg/L (Portaria GM/MS 888/2021).
Nitrogênio e fósforo: "como N" e íon inteiro
Laudos e legislação trazem nitrato, nitrito e amônia ora como N, ora como íon. Aqui você converte.
Como a conta é feita
Multiplica pela razão das massas molares: NO₃⁻ = N × 4,427; NO₂⁻ = N × 3,284; NH₃ = N × 1,216; NH₄⁺ = N × 1,288; PO₄³⁻ = P × 3,066. Os limites da Portaria GM/MS 888/2021 para nitrato (10 mg/L) e nitrito (1 mg/L) são como N.
Titulação
Resultado em mg/L a partir do volume gasto na bureta. Escolha a análise para preencher a massa equivalente.
Como a conta é feita
mg/L = (V amostra − V branco) × C × fator × massa equivalente × 1000 ÷ volume da amostra. Na DQO o branco gasta mais titulante que a amostra, então a conta usa V branco − V amostra. Para alcalinidade, use a normalidade do ácido (H₂SO₄ 0,01 mol/L = 0,02 N). Confira sempre com o procedimento do seu método (Standard Methods ou norma usada no laboratório).
Curva de calibração
Cole ou digite os padrões, um por linha: concentração e leitura (absorbância, área, sinal). A calculadora faz a reta pelos mínimos quadrados e calcula a amostra.
Como a conta é feita
Reta y = a·x + b pelos mínimos quadrados, com y a leitura e x a concentração. Concentração da amostra = (leitura − b) ÷ a × fator de diluição. R² perto de 1 (0,995 ou mais, em geral) indica boa linearidade. Leitura fora da faixa dos padrões não deve ser extrapolada: dilua e leia de novo.
As calculadoras ajudam na conta, mas quem manda é o procedimento validado do laboratório. Confira unidades, fatores de correção dos titulantes e a faixa de trabalho do método.