O que é
O fluoreto (F⁻) é a forma iônica do flúor encontrada dissolvida na água. Ocorre naturalmente pela dissolução de minerais como a fluorita e a apatita, e algumas águas subterrâneas, sobretudo em regiões de rochas graníticas e vulcânicas, podem ter concentrações elevadas. No Brasil, também é adicionado de forma controlada à água de abastecimento público para prevenir cáries, prática conhecida como fluoretação. Fontes humanas de contaminação incluem indústrias de fertilizantes fosfatados, alumínio, vidro e cerâmica. É medido em mg/L.
O que indica e riscos
Em concentrações adequadas, o fluoreto indica uma água que contribui para a proteção dos dentes contra a cárie, um benefício bem documentado em saúde pública. O problema está no excesso: acima do recomendado, a ingestão contínua durante a formação dos dentes pode causar fluorose dentária, com manchas brancas ou marrons no esmalte. Em concentrações bem mais altas e por longos períodos, pode ocorrer fluorose esquelética, que afeta ossos e articulações. Por isso, a Portaria GM/MS nº 888/2021 estabelece valor máximo permitido de 1,5 mg/L. Teores elevados em poços costumam indicar origem geológica, e não poluição, e devem ser confirmados por análise antes do uso contínuo para consumo.
Como tratar
Quando o fluoreto está acima do limite, as opções mais eficazes são a osmose reversa, que remove a maior parte dos sais dissolvidos, e a adsorção em alumina ativada, muito usada em sistemas específicos para remoção de flúor. Filtros com carvão de osso (bone char) também retêm fluoreto, e a eletrodiálise é outra alternativa em escala maior. Filtros comuns de carvão ativado e fervura não removem o fluoreto, e ferver chega a concentrá-lo. Nas estações públicas, o controle é feito pela dosagem precisa do produto de fluoretação e pelo monitoramento frequente, para manter o teor na faixa recomendada. Em residências e condomínios com poço de alto fluoreto, a osmose reversa no ponto de consumo é a solução mais prática.
A fluoretação da água de abastecimento é obrigatória no Brasil desde a Lei nº 6.050, de 1974, onde houver estação de tratamento. O efeito protetor foi percebido no início do século XX, quando dentistas nos Estados Unidos notaram que moradores de regiões com flúor natural na água tinham dentes manchados, porém com menos cáries.