O que é
O cianeto (CN⁻) é um composto formado por carbono e nitrogênio que pode estar na água como íon livre, como gás cianídrico (HCN) ou ligado a metais em complexos. As principais fontes humanas são a mineração de ouro, que usa cianeto para extrair o metal do minério, a galvanoplastia, a siderurgia (fornos de coque), a indústria química e a fabricação de plásticos. Também há fontes naturais: algumas plantas, como a mandioca brava, contêm compostos que liberam cianeto, e a manipueira, líquido extraído da mandioca nas casas de farinha, pode contaminar córregos. É expresso em mg/L.
O que indica e riscos
A presença de cianeto indica contaminação por efluentes industriais ou de mineração, ou pelo descarte inadequado de resíduos do processamento de mandioca. O cianeto é extremamente tóxico porque bloqueia a capacidade das células de usar o oxigênio; em doses altas, causa dor de cabeça, tontura, falta de ar, convulsões e pode matar rapidamente. Em exposições prolongadas a doses menores, pode afetar a tireoide e o sistema nervoso. No ambiente, os peixes são especialmente sensíveis, e acidentes com barragens de rejeitos de mineração com cianeto já causaram grandes mortandades. Sua detecção exige identificar a fonte imediatamente.
Como tratar
O cianeto deve ser tratado na origem, nos efluentes das indústrias e mineradoras, antes do lançamento. Os métodos mais usados são a cloração alcalina, que oxida o cianeto a cianato, menos tóxico, a oxidação com peróxido de hidrogênio ou com a mistura de dióxido de enxofre e ar, e a degradação biológica; os cianetos complexados com metais exigem processos específicos. Na água para consumo, a cloração usada na desinfecção também oxida o cianeto livre, e a troca iônica e a osmose reversa oferecem remoção adicional. Em residências, raramente há necessidade de tratamento específico, mas, em caso de contaminação comprovada de poço, a orientação é suspender o uso da água e buscar outra fonte até a correção do problema.
A mandioca brava precisa ser processada para ser consumida justamente por conter compostos que liberam cianeto. Processos tradicionais como ralar, prensar, deixar fermentar e torrar a massa, usados há séculos pelos povos indígenas, eliminam a maior parte desse veneno.