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Laboratório da Água

Análise de Mancozebe

O mancozebe é um fungicida ditiocarbamato que não é estável em solução, então não se mede a molécula inteira. Ele é determinado como dissulfeto de carbono (CS₂) liberado por hidrólise ácida, e seu produto de degradação, a etilenotioureia (ETU), é medido por LC-MS/MS. A Portaria GM/MS 888/2021 fixa o valor para a soma Mancozebe + ETU.

Método de referênciaHidrólise ácida com determinação de CS₂ por GC (headspace) / ETU por LC-MS/MS (ou EPA Method 509)
CategoriaAgrotóxicos

Materiais e reagentes

  • Cromatógrafo a gás com headspace e detector seletivo (MS, ECD ou FPD) (1)
  • Cromatógrafo líquido com espectrômetro de massas triplo quadrupolo (LC-MS/MS) (1)
  • Solução de cloreto estanoso (SnCl₂) em ácido clorídrico (reagente de hidrólise)
  • Frascos de headspace de 20 mL com septo de PTFE, ou frascos de reação fechados
  • Padrão de dissulfeto de carbono em isoctano, ou padrão de tiram para controle da hidrólise
  • Padrão de ETU e padrão interno isotópico (ETU-d₄)
  • Banho ou bloco de aquecimento a 80 °C (1)

Procedimento

  1. HidróliseColoque um volume conhecido de amostra no frasco, adicione a solução de SnCl₂ em HCl e feche na hora. Aqueça a cerca de 80 °C por 1 a 2 horas.
  2. Liberação de CS₂No meio ácido e quente, todo ditiocarbamato se decompõe em CS₂ e na amina correspondente. O SnCl₂ evita a oxidação.
  3. Leitura do CS₂Retire uma alíquota do headspace, ou da camada de isoctano, e injete no GC. Quantifique contra padrões de CS₂ tratados do mesmo jeito.
  4. Conversão para mancozebeConverta o CS₂ em mancozebe pelo fator estequiométrico. O resultado vale para todos os ditiocarbamatos presentes.
  5. Análise da ETUFiltre outra alíquota, adicione ETU-d₄ e injete no LC-MS/MS, monitorando a transição m/z 103 → 44 em modo positivo.
  6. Resultado finalSome o mancozebe calculado e a ETU para comparar com o valor da Portaria 888.
  7. Controle de qualidadeCorra um branco de reagentes e uma amostra fortificada com tiram ou mancozebe para checar a eficiência da hidrólise.

Cálculo

Mancozebe a partir do CS₂ Mancozebe (µg/L) = C(CS₂) × 1,78
  • C(CS₂): concentração de dissulfeto de carbono medida (µg/L)
  • 1,78: fator de conversão de CS₂ para mancozebe
Soma exigida pela Portaria 888 Total (µg/L) = Mancozebe + ETU
  • Mancozebe: valor calculado a partir do CS₂ (µg/L)
  • ETU: etilenotioureia medida por LC-MS/MS (µg/L)
Quantificação por padrão interno C (µg/L) = (Aₓ / Aₚᵢ) × (Cₚᵢ / RRF)
  • Aₓ: área do pico do analito na amostra
  • Aₚᵢ: área do pico do padrão interno
  • Cₚᵢ: concentração do padrão interno adicionado (µg/L)
  • RRF: fator de resposta relativo, médio da curva de calibração

Coleta e preservação

Frasco de vidro âmbar com tampa de PTFE, cheio até a boca. Os ditiocarbamatos se degradam rápido em água, então evite contato com borracha (que libera CS₂) e não use tiossulfato em excesso. Se houver cloro, use ácido ascórbico. Refrigere a no máximo 6 °C, no escuro, e analise o quanto antes, de preferência em até 48 horas para o CS₂. Para a ETU, siga o prazo de 14 dias do método validado.

Cuidados e segurança

  • O dissulfeto de carbono é muito inflamável e tóxico. Prepare padrões na capela e longe de qualquer superfície quente.
  • A ETU é suspeita de causar câncer e alterar a tireoide. Use luvas e evite gerar aerossóis.
  • Ácido clorídrico concentrado com SnCl₂ libera vapores corrosivos. Trabalhe com óculos e capela ligada.
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