Materiais e reagentes
- Cromatógrafo a gás com headspace e detector seletivo (MS, ECD ou FPD) (1)
- Cromatógrafo líquido com espectrômetro de massas triplo quadrupolo (LC-MS/MS) (1)
- Solução de cloreto estanoso (SnCl₂) em ácido clorídrico (reagente de hidrólise)
- Frascos de headspace de 20 mL com septo de PTFE, ou frascos de reação fechados
- Padrão de dissulfeto de carbono em isoctano, ou padrão de tiram para controle da hidrólise
- Padrão de ETU e padrão interno isotópico (ETU-d₄)
- Banho ou bloco de aquecimento a 80 °C (1)
Procedimento
- HidróliseColoque um volume conhecido de amostra no frasco, adicione a solução de SnCl₂ em HCl e feche na hora. Aqueça a cerca de 80 °C por 1 a 2 horas.
- Liberação de CS₂No meio ácido e quente, todo ditiocarbamato se decompõe em CS₂ e na amina correspondente. O SnCl₂ evita a oxidação.
- Leitura do CS₂Retire uma alíquota do headspace, ou da camada de isoctano, e injete no GC. Quantifique contra padrões de CS₂ tratados do mesmo jeito.
- Conversão para mancozebeConverta o CS₂ em mancozebe pelo fator estequiométrico. O resultado vale para todos os ditiocarbamatos presentes.
- Análise da ETUFiltre outra alíquota, adicione ETU-d₄ e injete no LC-MS/MS, monitorando a transição m/z 103 → 44 em modo positivo.
- Resultado finalSome o mancozebe calculado e a ETU para comparar com o valor da Portaria 888.
- Controle de qualidadeCorra um branco de reagentes e uma amostra fortificada com tiram ou mancozebe para checar a eficiência da hidrólise.
Cálculo
- C(CS₂): concentração de dissulfeto de carbono medida (µg/L)
- 1,78: fator de conversão de CS₂ para mancozebe
- Mancozebe: valor calculado a partir do CS₂ (µg/L)
- ETU: etilenotioureia medida por LC-MS/MS (µg/L)
- Aₓ: área do pico do analito na amostra
- Aₚᵢ: área do pico do padrão interno
- Cₚᵢ: concentração do padrão interno adicionado (µg/L)
- RRF: fator de resposta relativo, médio da curva de calibração
Coleta e preservação
Frasco de vidro âmbar com tampa de PTFE, cheio até a boca. Os ditiocarbamatos se degradam rápido em água, então evite contato com borracha (que libera CS₂) e não use tiossulfato em excesso. Se houver cloro, use ácido ascórbico. Refrigere a no máximo 6 °C, no escuro, e analise o quanto antes, de preferência em até 48 horas para o CS₂. Para a ETU, siga o prazo de 14 dias do método validado.
Cuidados e segurança
- O dissulfeto de carbono é muito inflamável e tóxico. Prepare padrões na capela e longe de qualquer superfície quente.
- A ETU é suspeita de causar câncer e alterar a tireoide. Use luvas e evite gerar aerossóis.
- Ácido clorídrico concentrado com SnCl₂ libera vapores corrosivos. Trabalhe com óculos e capela ligada.