O que é
O cloreto de vinila (C₂H₃Cl) é um gás incolor, de odor levemente adocicado, usado principalmente como matéria-prima para fabricar o PVC (policloreto de vinila). Não ocorre naturalmente na água em quantidades relevantes. Pode chegar a ela por efluentes e vazamentos de indústrias químicas e de plásticos, pela migração de resíduos do monômero a partir de tubos de PVC antigos ou de baixa qualidade e, principalmente em águas subterrâneas, pela degradação de solventes clorados como o tricloroetileno (TCE) e o percloroetileno (PCE). É expresso em µg/L ou mg/L.
O que indica e riscos
A presença de cloreto de vinila na água indica, em geral, contaminação industrial ou a existência de uma pluma de solventes clorados no subsolo, onde microrganismos transformam lentamente TCE e PCE nesse composto. É uma substância classificada como cancerígena para humanos pela Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC, Grupo 1), associada sobretudo ao angiossarcoma do fígado, um câncer raro. O risco está ligado à exposição prolongada, mesmo em concentrações muito baixas, por isso o limite de potabilidade é de frações de micrograma por litro. Como é muito volátil, também pode passar da água para o ar durante o banho, aumentando a exposição por inalação. Encontrá-lo em um poço exige investigação da fonte e interrupção do consumo até que a água seja tratada.
Como tratar
Por ser muito volátil, o cloreto de vinila é removido com eficiência por aeração, especialmente em torres de arraste com ar (air stripping), que são a principal técnica em estações de tratamento e em remediação de águas subterrâneas. O carvão ativado granular tem capacidade limitada para esse composto, que é pouco adsorvido, e por isso só funciona bem com trocas frequentes do leito ou como etapa complementar. Filtros domésticos comuns não são uma solução segura. Em áreas contaminadas, a solução definitiva envolve remediar a fonte (solo e aquífero) e, enquanto isso, usar outra fonte de água. Em redes, usar tubos de PVC certificados pelas normas da ABNT reduz o risco de migração do monômero.
O efeito cancerígeno do cloreto de vinila foi descoberto em 1974, quando médicos nos Estados Unidos ligaram vários casos de angiossarcoma do fígado, um câncer raríssimo, a trabalhadores que limpavam reatores de produção de PVC. A descoberta levou a mudanças nas regras de exposição ocupacional em vários países.