O que é
O sulfato (SO₄²⁻) é um íon formado por enxofre e oxigênio, presente naturalmente em muitas águas pela dissolução de minerais como a gipsita (sulfato de cálcio) e pela oxidação de sulfetos como a pirita. Também chega à água por efluentes industriais, drenagem ácida de mineração, fertilizantes, chuva ácida e uso de sulfato de alumínio ou de ferro no próprio tratamento de água. Águas subterrâneas de algumas regiões, como áreas do semiárido, podem ter teores elevados. A concentração é expressa em mg/L.
O que indica e riscos
Concentrações altas de sulfato dão à água sabor amargo ou salgado e, principalmente quando combinadas com magnésio ou sódio, podem ter efeito laxativo em pessoas não acostumadas, como visitantes e bebês. O organismo costuma se adaptar com o tempo, e não há evidência de efeitos graves à saúde nas concentrações usuais. Do ponto de vista operacional, o sulfato contribui para incrustações em caldeiras e trocadores de calor e, em ambientes sem oxigênio, bactérias o transformam em gás sulfídrico, que causa cheiro de ovo podre e corrosão de tubulações e concreto. A Portaria GM/MS nº 888/2021 fixa o valor máximo permitido de 250 mg/L, como padrão organoléptico.
Como tratar
O sulfato não é removido pelo tratamento convencional de coagulação e filtração. As técnicas eficazes são a osmose reversa, a nanofiltração, a eletrodiálise e a troca iônica com resinas aniônicas. Em casas e condomínios com poço de água salobra, a osmose reversa de ponto de uso é a solução mais comum para a água de beber. Na indústria e na mineração, também se usa precipitação com cal, formando gipsita, para reduzir altas concentrações em efluentes. Em estações de tratamento, a escolha do coagulante pode ajudar a não aumentar o teor de sulfato na água tratada.
O sal amargo usado como laxante é o sulfato de magnésio, e o nome vem da cidade inglesa de Epsom, onde uma fonte de água rica nesse sal ficou famosa no século XVII.