O que é
O bromato (BrO₃⁻) é um íon formado principalmente quando a água que contém brometo (Br⁻) é desinfetada com ozônio. O brometo ocorre naturalmente em águas subterrâneas, em regiões costeiras com influência marinha e em alguns efluentes industriais. O bromato também pode estar presente como impureza em soluções de hipoclorito de sódio, especialmente quando o produto é armazenado por muito tempo ou em temperaturas altas, e pode se formar na geração eletrolítica de cloro a partir de sal com brometo. É expresso em mg/L ou µg/L.
O que indica e riscos
A presença de bromato indica que a água passou por ozonização em presença de brometo ou que foi desinfetada com hipoclorito contendo essa impureza. Ele é estável e não é removido pelos processos que vêm depois na própria estação, chegando ao consumidor. Estudos em animais mostram que o bromato causa tumores nos rins e em outros órgãos, e a IARC o classifica como possivelmente carcinogênico para humanos (grupo 2B). Por isso, sistemas que usam ozônio ou hipoclorito devem monitorar esse subproduto. O risco está ligado ao consumo prolongado acima do limite, e não justifica deixar de desinfetar a água, já que a ausência de desinfecção traz riscos microbiológicos muito maiores.
Como tratar
O controle do bromato é principalmente preventivo, porque é mais fácil evitar sua formação do que removê-lo. Nas estações que usam ozônio, as estratégias incluem reduzir o pH durante a ozonização, adicionar pequenas quantidades de amônia ou peróxido de hidrogênio, controlar a dose e o tempo de contato do ozônio e verificar o teor de brometo da água bruta. Para o hipoclorito, recomenda-se usar produto com especificação de baixo teor de bromato, armazená-lo em local fresco e protegido da luz e evitar estoques antigos. Quando já está presente, o bromato pode ser reduzido por carvão ativado novo ou biologicamente ativo e por agentes redutores como o ferro ferroso, e é removido por osmose reversa, que também é a opção para o ponto de uso residencial.
O bromato de potássio já foi muito usado como melhorador de farinha para deixar o pão mais macio e volumoso. No Brasil, seu uso em farinhas e produtos de panificação foi proibido pela Lei nº 10.273, de 2001.