O que é
Os Ácidos Haloacéticos (HAA5) são um grupo de cinco subprodutos formados quando o cloro usado na desinfecção reage com a matéria orgânica natural da água: os ácidos monocloroacético, dicloroacético, tricloroacético, monobromoacético e dibromoacético. Assim como os trihalometanos, formam-se principalmente em águas com muita matéria orgânica, como as de rios com cor elevada, e em presença de brometo aparecem mais as formas bromadas. Diferentemente dos trihalometanos, não são voláteis e permanecem na água. São expressos em mg/L, como a soma dos compostos do grupo.
O que indica e riscos
A presença de ácidos haloacéticos indica que a água foi desinfetada com cloro e que havia matéria orgânica disponível para reagir. Seus níveis dependem da qualidade da água bruta, da dose de cloro, do pH, da temperatura e do tempo de contato, mas, ao contrário dos trihalometanos, podem diminuir nas pontas da rede onde há atividade biológica que os degrada. Estudos com animais associaram alguns desses compostos, como os ácidos dicloroacético e tricloroacético, a efeitos no fígado e a potencial cancerígeno, e a Portaria GM/MS nº 888/2021 estabelece valor máximo permitido de 0,08 mg/L para os ácidos haloacéticos totais. Como no caso dos trihalometanos, a desinfecção não deve ser reduzida a ponto de comprometer a segurança microbiológica, que é o risco mais imediato. O monitoramento conjunto de THM e HAA dá um retrato mais completo dos subprodutos da cloração.
Como tratar
A principal medida é prevenir a formação, removendo a matéria orgânica antes da cloração por meio de coagulação reforçada, filtração e carvão ativado, evitando a pré-cloração e ajustando a dose de cloro ao necessário. O uso de cloraminas, ozônio ou radiação ultravioleta como parte da desinfecção também pode reduzir a formação de ácidos haloacéticos. Depois de formados, eles são removidos por carvão ativado granular, especialmente quando há atividade biológica no filtro (carvão ativado biológico), e por osmose reversa. Diferentemente dos trihalometanos, não saem por aeração ou fervura. Em residências e condomínios, filtros de carvão ativado e sistemas de osmose reversa no ponto de uso ajudam a reduzir a concentração.
O ácido tricloroacético, um dos HAA5, também é usado em dermatologia para peelings químicos, em concentrações muitíssimo maiores que as encontradas na água tratada.