O que é
A bentazona é um herbicida seletivo de contato, usado após a germinação das plantas para controlar ervas de folha larga e tiriricas em culturas como soja, arroz, feijão, milho e trigo. Ela age bloqueando a fotossíntese das ervas daninhas. É muito solúvel em água e pouco retida pelo solo, por isso pode ser levada pela chuva até rios e infiltrar-se até os aquíferos. Não tem origem natural, e sua presença na água vem da aplicação agrícola, da lavagem de equipamentos e do descarte incorreto de sobras. É expressa em µg/L ou mg/L.
O que indica e riscos
A detecção de bentazona indica que o manancial ou o aquífero recebe contribuição de áreas agrícolas, e, por ser muito móvel, ela costuma ser um dos primeiros herbicidas a aparecer em poços. A toxicidade aguda para humanos é considerada baixa, mas estudos em animais com exposição prolongada mostram efeitos no fígado, no sangue e no peso corporal, razão pela qual existe limite para água potável. No ambiente, pode afetar plantas aquáticas e culturas sensíveis irrigadas com água contaminada. Sua presença, mesmo abaixo do limite, é um sinal de vulnerabilidade da fonte de água a outros agrotóxicos.
Como tratar
Como é uma molécula bastante polar, a bentazona é pouco removida pelo tratamento convencional e tem adsorção apenas moderada em carvão ativado, o que exige filtros bem dimensionados e troca frequente do carvão. Os processos oxidativos avançados, como ozônio com peróxido de hidrogênio ou radiação UV com peróxido, degradam o composto de forma eficiente nas estações de tratamento. A nanofiltração e a osmose reversa oferecem alta remoção e são indicadas para indústria, condomínios e uso residencial no ponto de consumo. A prevenção, com aplicação na dose correta, faixas de proteção em torno de poços e nascentes e manejo adequado de embalagens, continua sendo a forma mais barata de controle.
Por ser muito solúvel e pouco retida pelo solo, a bentazona é um dos herbicidas detectados com mais frequência em águas subterrâneas em levantamentos realizados em países europeus.