O que é
A sílica é o dióxido de silício (SiO₂), um dos compostos mais abundantes da crosta terrestre, presente em areias, quartzo, argilas e na maioria das rochas. Chega à água principalmente pelo intemperismo natural dessas rochas e minerais, por isso é comum em águas de poço, onde costuma aparecer em concentrações maiores que nas águas superficiais. Pode estar dissolvida (sílica reativa) ou na forma coloidal, em partículas muito finas. Atividades humanas, como mineração e alguns efluentes industriais, também podem contribuir. É expressa em mg/L de SiO₂.
O que indica e riscos
A presença de sílica indica, na maioria dos casos, apenas o contato da água com rochas e solos ricos em silicatos, e não representa risco à saúde nos teores encontrados naturalmente, por isso não há valor máximo definido para água potável. O principal problema é operacional: em caldeiras, trocadores de calor e sistemas de resfriamento, a sílica forma incrustações vítreas muito duras e difíceis de remover, que reduzem a troca de calor e aumentam o consumo de energia. Em caldeiras de alta pressão, a sílica pode ser arrastada pelo vapor e se depositar nas palhetas das turbinas, causando perda de eficiência e danos. Também é uma das principais causas de entupimento das membranas de osmose reversa quando a água é muito concentrada. Em uso doméstico, pode deixar manchas esbranquiçadas em vidros, louças e boxes de banheiro.
Como tratar
Para residências e condomínios, a sílica raramente exige tratamento, sendo suficiente secar vidros e superfícies para evitar manchas. Quando a remoção é necessária, a osmose reversa é a opção mais comum, retendo grande parte da sílica dissolvida, desde que o sistema seja dimensionado para evitar incrustação nas membranas, muitas vezes com uso de antiincrustantes específicos. Na indústria, a sílica reativa é removida por troca iônica com resinas aniônicas fortemente básicas, etapa presente nos desmineralizadores que alimentam caldeiras de alta pressão, e por eletrodeionização (EDI) como polimento final. A sílica coloidal, que não é retida pelas resinas, pode ser reduzida por coagulação e filtração ou por ultrafiltração. Também se usa o abrandamento com cal e óxido de magnésio, que precipita parte da sílica junto com os sais de magnésio.
O silício é o segundo elemento mais abundante da crosta terrestre, atrás apenas do oxigênio. As diatomáceas, algas microscópicas muito comuns em rios e lagos, usam a sílica dissolvida na água para construir suas carapaças, e seus restos acumulados formam a terra diatomácea, usada como meio filtrante.