O que é
O profenofós é um inseticida e acaricida organofosforado usado em culturas como algodão, soja, milho, tomate e outras hortaliças, para controlar lagartas, pulgões, ácaros e outras pragas. Não ocorre naturalmente e chega à água por escoamento das lavouras após chuvas, deriva da pulverização e descarte inadequado de embalagens e restos de calda. No ambiente, degrada-se em alguns dias a semanas, sendo o 4-bromo-2-clorofenol seu principal produto de degradação. A concentração é expressa em mg/L ou µg/L.
O que indica e riscos
A presença de profenofós indica contaminação por agrotóxico organofosforado vinda de áreas agrícolas. Assim como outros compostos desse grupo, inibe a enzima acetilcolinesterase e pode causar efeitos no sistema nervoso, como tontura, náusea, sudorese e tremores em exposições elevadas. É muito tóxico para peixes, crustáceos, abelhas e aves. Por ter um valor de referência para saúde muito baixo, pequenas concentrações já são relevantes. A Portaria GM/MS nº 888/2021 estabelece valor máximo permitido de 0,3 µg/L (0,0003 mg/L) para o profenofós.
Como tratar
A coagulação e filtração convencionais removem só parte do profenofós. A adsorção em carvão ativado, em pó ou granular, é uma das opções mais eficazes, já que ele é pouco solúvel em água. A oxidação com cloro ou ozônio e os processos oxidativos avançados ajudam a degradá-lo, e a osmose reversa funciona como barreira final. Em casas e condomínios próximos a lavouras, filtros de carvão ativado de boa qualidade ou osmose reversa de ponto de uso são opções práticas, mas a proteção do manancial, com respeito às distâncias de aplicação e faixas de vegetação, é a medida mais importante.
O profenofós é uma molécula quiral, com duas formas espelhadas, e estudos mostram que essas duas formas têm toxicidade diferente para insetos e organismos aquáticos, embora o produto seja vendido como mistura das duas.