O que é
A parationa metílica (metil paration) é um inseticida organofosforado de amplo espectro, que foi muito usado em lavouras de algodão, soja, milho e hortaliças. Não ocorre naturalmente e chega à água por escoamento das áreas aplicadas, deriva da pulverização e descarte inadequado de embalagens e sobras de calda. No ambiente, degrada-se em alguns dias a semanas, gerando produtos como o p-nitrofenol. Seu uso agrícola foi proibido no Brasil pela Anvisa, por isso hoje a detecção está ligada a uso irregular ou contaminação antiga. A concentração é expressa em mg/L ou µg/L.
O que indica e riscos
A presença de parationa metílica na água indica contaminação por agrotóxico organofosforado, possivelmente por uso ilegal. Ela inibe a enzima acetilcolinesterase e é altamente tóxica para seres humanos, podendo causar dor de cabeça, náuseas, sudorese, tremores, convulsões e insuficiência respiratória em intoxicações agudas. Exposições repetidas também estão associadas a efeitos neurológicos. No ambiente, é muito tóxica para abelhas, peixes, crustáceos e aves. A Portaria GM/MS nº 888/2021 não traz valor máximo para ela, o que reflete a revisão da lista de monitoramento e não ausência de risco.
Como tratar
A coagulação e filtração convencionais removem só uma pequena parte da parationa metílica dissolvida. A adsorção em carvão ativado é eficaz, e a oxidação com cloro, ozônio ou processos oxidativos avançados degrada a molécula, embora possa formar produtos intermediários, como o metil paraoxon, que também é tóxico, exigindo processo bem controlado. A osmose reversa é uma barreira eficiente. Em residências com suspeita de contaminação, filtros de carvão ativado de qualidade ou osmose reversa de ponto de uso são opções, junto com a comunicação às autoridades sanitárias para investigar a fonte.
A parationa metílica foi usada ilegalmente para dedetizar residências em algumas cidades dos Estados Unidos nos anos 1990, o que obrigou o governo americano a descontaminar centenas de casas.