O que é
O nitrito (NO₂⁻) é uma forma intermediária do ciclo do nitrogênio, que aparece quando bactérias transformam amônia em nitrato (nitrificação) ou nitrato em gás nitrogênio (desnitrificação). Por ser instável, costuma estar presente em concentrações baixas em águas limpas. Suas fontes incluem esgoto doméstico, fossas, criação de animais, fertilizantes nitrogenados e efluentes industriais, além de redes de distribuição com cloraminas, onde pode se formar por nitrificação. A concentração é expressa em mg/L como nitrogênio (N).
O que indica e riscos
O nitrito indica contaminação recente por matéria orgânica ou esgoto, já que ele logo se transforma em nitrato quando há oxigênio. É mais tóxico que o nitrato: no sangue, transforma a hemoglobina em metemoglobina, que não transporta oxigênio, causando a metemoglobinemia, também chamada de síndrome do bebê azul. Bebês com menos de seis meses alimentados com mamadeira preparada com água contaminada são o grupo mais sensível. Também pode reagir com compostos do organismo e formar nitrosaminas, substâncias com potencial cancerígeno. A Portaria GM/MS nº 888/2021 estabelece o valor máximo permitido de 1 mg/L de nitrito (como N).
Como tratar
Na maioria dos casos, o nitrito é facilmente convertido em nitrato pela cloração ou por outros oxidantes, como ozônio, o que elimina a forma mais tóxica, mas é preciso conferir se o nitrato resultante fica dentro do limite. Quando é necessário reduzir o nitrogênio total, usam-se troca iônica com resinas seletivas, osmose reversa ou eletrodiálise. Em poços de casas e condomínios, a primeira providência é localizar e afastar fontes como fossas e esterqueiras, além de garantir a cloração. Em sistemas de distribuição com cloraminas, controla-se a nitrificação ajustando a relação entre cloro e amônia e fazendo descargas na rede.
O nitrito é usado como conservante em carnes curadas, como presunto e salsicha, porque impede o crescimento da bactéria do botulismo e dá a cor rosada característica desses produtos.