O que é
A Giardia (principalmente a espécie Giardia lamblia, também chamada Giardia duodenalis ou intestinalis) é um protozoário parasita que vive no intestino de pessoas e de vários animais. Ela é eliminada nas fezes na forma de cistos, estruturas pequenas e resistentes que sobrevivem por semanas ou meses na água fria. Os cistos chegam aos mananciais por esgoto, fossas, criações de animais e escoamento de áreas contaminadas. A análise conta o número de cistos por litro de água (cistos/L), usando técnicas de concentração e microscopia.
O que indica e riscos
A presença de cistos de Giardia indica contaminação da água por fezes humanas ou de animais. A ingestão de poucos cistos já pode causar giardíase, infecção intestinal com diarreia, cólicas, gases, náuseas e perda de peso, que pode se prolongar e prejudicar a absorção de nutrientes, especialmente em crianças. Um ponto importante é que os cistos resistem melhor ao cloro do que as bactérias, por isso a ausência de E. coli em água apenas clorada não garante, sozinha, a ausência de Giardia. Surtos de giardíase transmitida pela água costumam estar ligados a falhas na filtração ou ao consumo de água de poços e nascentes sem tratamento. Sua detecção no manancial indica a necessidade de reforçar as barreiras do tratamento.
Como tratar
A principal barreira contra a Giardia é a remoção física: coagulação, decantação e filtração bem operadas, com baixa turbidez da água filtrada, retêm a maior parte dos cistos. A desinfecção complementa o processo, sendo a radiação ultravioleta (UV) e o ozônio mais eficazes contra cistos do que o cloro, que exige maior concentração e tempo de contato. Membranas de ultrafiltração e microfiltração também removem os cistos com alta eficiência. Em residências e condomínios, filtros com poros de 1 micrômetro ou menos, certificados para remoção de cistos, sistemas de osmose reversa e reatores UV são opções práticas. Em emergências, ferver a água por pelo menos um minuto inativa os cistos.
A Giardia foi um dos primeiros micro-organismos observados pelo ser humano: o holandês Antonie van Leeuwenhoek a descreveu em 1681, ao examinar suas próprias fezes no microscópio que ele mesmo construiu.