O que é
Cryptosporidium é um protozoário parasita que infecta o intestino de humanos e de muitos animais, como bezerros, ovelhas e roedores. Ele é eliminado nas fezes na forma de oocistos, estruturas microscópicas de cerca de 4 a 6 micrômetros, com uma parede resistente que os protege no ambiente por meses. Chega à água por esgoto doméstico, falhas em fossas, escoamento de áreas de criação de animais e lançamento de lodo ou efluentes. É expresso em número de oocistos por litro (oocistos/L).
O que indica e riscos
A presença de oocistos indica contaminação fecal da água, de origem humana ou animal. Engolir poucos oocistos pode causar a criptosporidiose, uma diarreia aquosa que pode durar até duas semanas, acompanhada de cólicas, náuseas e febre. Em pessoas com o sistema imunológico enfraquecido, como portadores de HIV/AIDS, transplantados e pacientes em quimioterapia, a doença pode ser grave e prolongada. O grande desafio é que os oocistos são muito resistentes ao cloro nas doses usadas no tratamento de água, por isso a cloração sozinha não garante sua eliminação. Por esse motivo, a Portaria GM/MS nº 888/2021 exige o monitoramento de Cryptosporidium nos mananciais com maior contaminação fecal e um controle mais rigoroso da filtração.
Como tratar
A principal barreira é física: uma boa coagulação seguida de filtração eficiente, com turbidez da água filtrada muito baixa, remove a maior parte dos oocistos. Membranas de ultrafiltração e microfiltração são ainda mais seguras. Como desinfecção, a radiação ultravioleta é muito eficaz contra Cryptosporidium mesmo em doses moderadas, e o ozônio também atua, enquanto o cloro tem efeito fraco. Em residências, filtros com certificação para remoção de cistos (poros de 1 micrômetro ou menores), sistemas de osmose reversa e aparelhos com lâmpada UV são opções, e ferver a água por 1 minuto inativa os oocistos. Em condomínios e poços, a proteção do manancial contra esgoto e fezes de animais é fundamental.
Em 1993, em Milwaukee, nos Estados Unidos, um surto de criptosporidiose ligado ao sistema público de abastecimento deixou cerca de 400 mil pessoas doentes, o maior surto de doença de veiculação hídrica já registrado naquele país. A água atendia aos padrões da época, o que levou a mudanças nas regras de filtração no mundo todo.