O que é
O lindano é o nome comercial do isômero gama do hexaclorocicloexano (gama-HCH), um inseticida organoclorado sintético. Foi usado na agricultura, no tratamento de madeira e de sementes e também em medicamentos contra piolhos e sarna. Não ocorre naturalmente e chega à água por escoamento e erosão de áreas tratadas, por resíduos antigos no solo e por descarte inadequado de estoques e de resíduos de sua fabricação. É medido em µg/L ou mg/L.
O que indica e riscos
A presença de lindano na água indica contaminação por uso antigo do produto, por áreas de descarte de resíduos industriais ou por depósitos de estoques obsoletos. É neurotóxico, podendo causar tonturas, tremores e convulsões em exposições agudas, e exposições prolongadas estão associadas a efeitos no fígado e no sistema imunológico. A IARC classifica o lindano como carcinogênico para humanos. É persistente e se acumula em organismos, sendo tóxico para peixes e invertebrados aquáticos. A Portaria GM/MS nº 888/2021 estabelece valor máximo permitido para o lindano (gama-HCH) na água potável.
Como tratar
A adsorção em carvão ativado, em pó ou granular, é a técnica de referência para remover lindano na água de abastecimento, pois o tratamento convencional retém apenas a parte ligada a partículas. Processos oxidativos avançados podem complementar, mas o lindano é relativamente resistente à oxidação comum por cloro. Em residências e condomínios, filtros de carvão ativado e osmose reversa oferecem boa proteção. Em áreas com resíduos de fabricação ou estoques antigos, é necessária a remediação do solo e das águas subterrâneas para eliminar a fonte.
Para cada quilo de lindano fabricado, sobravam vários quilos de outros isômeros de HCH sem uso, que foram descartados como resíduo em vários países. Por isso, esses resíduos também foram incluídos na Convenção de Estocolmo junto com o lindano, em 2009.