O que é
O endossulfan é um inseticida e acaricida organoclorado, sintético, que foi muito usado em lavouras de soja, algodão, café e cana-de-açúcar. Não ocorre naturalmente e chega à água por escoamento de áreas tratadas, por deriva durante a pulverização e por resíduos que ficam presos ao solo e ao sedimento. Embora seu uso tenha sido proibido no Brasil, ainda pode ser encontrado em sedimentos e em locais com histórico de aplicação ou de estoques antigos. É medido em µg/L ou mg/L, geralmente como a soma de suas formas (alfa, beta e sulfato de endossulfan).
O que indica e riscos
A presença de endossulfan na água indica contaminação por uso agrícola atual ilegal ou, mais comumente, por resíduos antigos que continuam sendo liberados do solo e dos sedimentos. É um composto muito tóxico ao sistema nervoso, podendo causar convulsões em intoxicações agudas, e é considerado desregulador endócrino, ou seja, pode interferir no funcionamento dos hormônios. Também é persistente e se acumula na gordura de peixes e outros animais, subindo pela cadeia alimentar. Para organismos aquáticos, sobretudo peixes, é extremamente tóxico mesmo em concentrações muito baixas. Sua detecção justifica investigar a origem e avaliar outros organoclorados no mesmo manancial.
Como tratar
O endossulfan tem pouca afinidade pela água e grande afinidade por partículas e matéria orgânica, por isso parte dele é removida junto com os sólidos na coagulação, decantação e filtração. Para a fração dissolvida, a adsorção em carvão ativado (granular ou em pó) é a técnica mais eficaz e mais usada. Em residências e condomínios, filtros de carvão ativado e sistemas de osmose reversa oferecem boa proteção, desde que recebam manutenção regular. Em indústrias e áreas contaminadas, pode ser necessário tratar o solo e o sedimento, já que eles funcionam como fonte contínua do contaminante.
O endossulfan foi incluído em 2011 na Convenção de Estocolmo, tratado internacional que busca eliminar os poluentes orgânicos persistentes. No Brasil, a Anvisa determinou a retirada do produto do mercado, com proibição total a partir de 2013.