O que é
O dissulfoton é um inseticida e acaricida organofosforado de ação sistêmica, ou seja, é absorvido pela planta e circula pela seiva, atingindo os insetos que se alimentam dela. Não ocorre naturalmente na água: chega a rios, poços e reservatórios pela aplicação agrícola, por escoamento superficial após chuvas, por infiltração no solo e pelo descarte inadequado de embalagens e restos de calda. No ambiente, ele se transforma em produtos de oxidação (sulfóxidos e sulfonas) que também são tóxicos. Sua concentração na água é expressa em mg/L ou µg/L.
O que indica e riscos
A presença de dissulfoton na água indica contaminação por atividade agrícola próxima, seja por uso direto na lavoura, seja por manejo incorreto de embalagens e equipamentos de pulverização. É um composto muito tóxico, que age inibindo a enzima acetilcolinesterase do sistema nervoso, e a exposição pode provocar dor de cabeça, náuseas, tremores, salivação excessiva e, em casos graves, dificuldade respiratória. Por isso, mesmo pequenas quantidades exigem atenção, principalmente em poços rasos de áreas rurais. Para a vida aquática, é altamente nocivo a peixes e invertebrados, podendo causar mortandade mesmo em concentrações baixas. Sua detecção também sinaliza que outros agrotóxicos podem estar presentes no mesmo manancial.
Como tratar
O tratamento convencional (coagulação, decantação e filtração em areia) remove pouco do dissulfoton dissolvido, por isso a principal barreira é a adsorção em carvão ativado, granular (CAG) ou em pó (CAP), que retém bem esse tipo de molécula orgânica. Processos oxidativos, como ozonização ou oxidação avançada (ozônio com peróxido de hidrogênio ou radiação UV), também degradam o composto, mas podem gerar subprodutos que precisam ser controlados. Em residências e condomínios abastecidos por poço, filtros com carvão ativado de boa qualidade e sistemas de osmose reversa são as opções mais eficazes, desde que a troca dos elementos filtrantes seja feita no prazo correto. A medida mais importante, porém, é preventiva: proteger o poço, respeitar distâncias de aplicação e dar destino correto às embalagens.
O dissulfoton faz parte da mesma família química de alguns agentes neurotóxicos desenvolvidos no século XX, os organofosforados, que atuam bloqueando a mesma enzima do sistema nervoso. Isso explica por que vários inseticidas desse grupo têm toxicidade aguda tão alta para seres humanos.