O que é
O cromo total é a soma de todas as formas de cromo presentes na água, principalmente o cromo trivalente, Cr(III), e o cromo hexavalente, Cr(VI). O cromo ocorre naturalmente em rochas e solos, e em algumas regiões, com rochas ricas nesse metal, a água subterrânea pode conter Cr(VI) de origem natural. As fontes humanas mais importantes são a galvanoplastia (cromagem), os curtumes, a produção de aço inoxidável, pigmentos e produtos para preservação de madeira. É expresso em mg/L ou µg/L.
O que indica e riscos
A presença de cromo acima do natural indica, em geral, contaminação por efluentes industriais ou descarte de resíduos. As duas formas têm riscos muito diferentes: o Cr(III) é pouco tóxico e participa do metabolismo em pequenas quantidades, enquanto o Cr(VI) é altamente tóxico, irritante e classificado como cancerígeno para humanos. A exposição prolongada ao Cr(VI) pela água pode afetar o fígado, os rins e o sistema digestivo, e em animais foi associada a tumores no intestino. Como a análise de cromo total não separa as formas, um resultado elevado pede investigação da fonte e, se possível, a medição específica do Cr(VI). No ambiente, o cromo também é tóxico para peixes e outros organismos aquáticos.
Como tratar
Para o Cr(VI), o tratamento clássico é a redução química a Cr(III), com sulfato ferroso, metabissulfito ou outros redutores, seguida de precipitação do hidróxido de cromo, coagulação e filtração, técnica muito usada em efluentes de galvanoplastia e curtumes. Para água de consumo, resinas de troca iônica, osmose reversa e mídias filtrantes à base de ferro são eficazes, com sistemas adaptáveis a residências, condomínios e indústrias. O Cr(III) é removido com relativa facilidade em processos convencionais de coagulação e filtração. Filtros de carvão ativado comuns não são uma solução confiável para cromo. Na indústria, o controle na origem e o tratamento dos efluentes antes do lançamento são indispensáveis.
A contaminação da água subterrânea por cromo hexavalente na cidade de Hinkley, na Califórnia, ficou mundialmente conhecida pelo filme Erin Brockovich (2000), baseado no caso real que resultou em um dos maiores acordos de indenização ambiental dos Estados Unidos.