O que é
O carbofurano é um inseticida, nematicida e acaricida do grupo dos carbamatos, que foi muito usado no Brasil em culturas como cana-de-açúcar, milho, café, arroz e banana. Age inibindo uma enzima do sistema nervoso, a acetilcolinesterase, tanto em pragas quanto em outros animais e em seres humanos. É bastante solúvel em água e móvel no solo, podendo chegar a rios e poços pelo escoamento e pela infiltração. Não tem origem natural. É expresso em µg/L ou mg/L.
O que indica e riscos
A presença de carbofurano na água indica contaminação por uso agrícola, por estoques antigos ou por descarte inadequado do produto, já que seu uso foi proibido no Brasil. É um dos agrotóxicos de maior toxicidade aguda: em doses altas causa salivação, suor intenso, tremores, dificuldade respiratória e pode levar à morte, por inibir a acetilcolinesterase. Em exposições menores e prolongadas, pode afetar o sistema nervoso e reprodutivo. No ambiente, é extremamente tóxico para aves, peixes e abelhas. Sua detecção deve levar à investigação da origem, inclusive de possível uso irregular.
Como tratar
O carbofurano é pouco removido pela coagulação e filtração convencionais. Nas estações de tratamento, os processos mais eficazes são o carvão ativado em pó ou granular e a oxidação, especialmente com ozônio e processos oxidativos avançados, que degradam a molécula. A nanofiltração e a osmose reversa também apresentam boa remoção e são indicadas para indústria, condomínios e uso residencial no ponto de consumo. Em casas abastecidas por poço próximo a lavouras, filtros de carvão ativado ou osmose reversa reduzem o risco, mas o mais importante é identificar a fonte e interromper a contaminação.
A Anvisa proibiu o uso do carbofurano no Brasil em 2017, após reavaliação toxicológica. O produto é conhecido mundialmente por causar envenenamentos de aves e de animais silvestres, inclusive em casos de uso criminoso como isca.