O que é
O arsênio (As) é um semimetal presente naturalmente em diversas rochas e solos, principalmente em minerais sulfetados como a arsenopirita. Na água, aparece sobretudo nas formas inorgânicas arsenito (As³⁺) e arseniato (As⁵⁺), que são as mais tóxicas. Pode chegar aos mananciais e aquíferos pela dissolução natural das rochas e também por atividades humanas, como mineração de ouro, metalurgia, queima de carvão, uso antigo de agrotóxicos arsenicais e preservantes de madeira. É expresso em µg/L ou mg/L.
O que indica e riscos
A presença de arsênio indica contato da água com rochas ricas no elemento ou com áreas de mineração e atividades industriais. Não tem gosto, cheiro nem cor, por isso só é detectado em análise de laboratório. A exposição prolongada causa manchas e espessamento da pele (hiperqueratose), problemas vasculares e aumenta o risco de câncer de pele, bexiga e pulmão, e a IARC o classifica como carcinogênico para humanos (grupo 1). Águas subterrâneas merecem atenção especial, porque podem ter teores elevados mesmo sem nenhuma contaminação humana. No Brasil, há casos conhecidos em regiões de mineração, como o Quadrilátero Ferrífero, em Minas Gerais.
Como tratar
O arsênio na forma de arseniato (As⁵⁺) é removido com mais facilidade, por isso o tratamento geralmente começa com uma oxidação (cloro, permanganato ou ozônio) para converter o arsenito. Em seguida, nas estações de tratamento, usa-se coagulação com sais de ferro e filtração, ou remoção junto com o ferro e o manganês naturais da água. Em sistemas menores, poços e indústrias, são eficientes os adsorventes à base de óxido de ferro e a alumina ativada, além da troca iônica e da osmose reversa. Em residências, a osmose reversa no ponto de uso é a opção mais prática para a água de beber e cozinhar. Ferver a água não remove o arsênio; ao contrário, a evaporação concentra o elemento.
Em Bangladesh, milhões de poços tubulares perfurados a partir dos anos 1970 para fugir da água de superfície contaminada por micróbios acabaram expondo a população a arsênio de origem natural. A OMS descreveu o caso como o maior envenenamento em massa de uma população na história.