O que é
Os surfactantes são substâncias que diminuem a tensão superficial da água e permitem misturar água com óleo e gordura, sendo o principal componente de detergentes, sabões em pó, xampus e produtos de limpeza. O tipo mais comum nesses produtos é o alquilbenzeno sulfonato linear (LAS), um surfactante aniônico. Não existem naturalmente em quantidades relevantes e chegam à água principalmente pelo esgoto doméstico e por efluentes de lavanderias, indústrias e lava-jatos. A análise mais usada mede as substâncias que reagem com o azul de metileno (MBAS), e o resultado é expresso em mg/L.
O que indica e riscos
A presença de surfactantes indica contaminação por esgoto doméstico ou efluentes industriais, sendo um bom marcador de lançamento de esgoto sem tratamento. Em concentrações elevadas, provocam formação de espuma em rios, cachoeiras e estações de tratamento, e podem dar gosto e cheiro desagradáveis à água. No ambiente, são tóxicos para peixes e outros organismos aquáticos, pois afetam suas membranas e brânquias, e dificultam a troca de oxigênio entre a água e o ar. Detergentes antigos também carregavam fosfatos, que favorecem a proliferação de algas. A Portaria GM/MS nº 888/2021 estabelece o valor máximo de 0,5 mg/L para surfactantes, medidos como LAS.
Como tratar
Os surfactantes atuais, como o LAS, são biodegradáveis e são removidos em boa parte nas estações de tratamento de esgoto por processos biológicos, como lodos ativados. Na água para consumo, a adsorção em carvão ativado e a oxidação com ozônio são eficientes para retirar resíduos, e a osmose reversa também os remove. Em casas e condomínios, a principal medida é garantir que o esgoto, incluindo a água de lavanderia, vá para a rede coletora ou para um sistema adequado de fossa e filtro, sem contaminar poços. Na indústria, o efluente deve passar por tratamento biológico ou físico-químico antes do lançamento.
Nas décadas de 1950 e 1960, os detergentes eram feitos com surfactantes ramificados pouco biodegradáveis, que formavam montanhas de espuma em rios, o que levou à troca pelo LAS, de cadeia linear e degradado mais facilmente por bactérias.