Materiais e reagentes
- Frascos de DBO de 300 mL com tampa de vidro esmerilhado e selo d'água
- Oxímetro (medidor de oxigênio dissolvido) com sonda para frasco de DBO, ou reagentes do método de Winkler
- Incubadora a 20 ± 1 °C, no escuro
- Água de diluição: água destilada aerada com tampão fosfato, sulfato de magnésio, cloreto de cálcio e cloreto férrico
- Semente (inóculo): esgoto doméstico decantado ou inóculo comercial, para amostras sem microrganismos
- Solução padrão de glicose e ácido glutâmico (150 mg/L de cada) para controle de qualidade
- Soluções de ácido sulfúrico e hidróxido de sódio 1 N e de sulfito de sódio, para acertar pH e retirar cloro
- Alternativa: sistema respirométrico (manométrico) de DBO com sensores digitais
Procedimento
- Preparo da amostraLeve a amostra a 20 ± 3 °C, ajuste o pH entre 6,0 e 8,0 e retire o cloro residual com sulfito de sódio, se houver.
- DiluiçõesPrepare pelo menos três diluições, para que alguma consuma entre 2 mg/L e o oxigênio disponível. Esgoto bruto pede pouca amostra (ex.: 1% a 5%); efluente tratado, mais (ex.: 10% a 50%).
- SementeSe a amostra for desinfetada, industrial ou aquecida, adicione semente a todos os frascos e prepare frascos só com semente para a correção.
- BrancoEncha um frasco só com água de diluição. Ele não pode consumir mais que 0,20 mg/L de oxigênio em 5 dias.
- OD inicialComplete os frascos sem bolhas e meça o oxigênio dissolvido inicial (D1) de cada um.
- IncubaçãoFeche com selo d'água e incube no escuro a 20 ± 1 °C por 5 dias ± 6 horas.
- OD finalMeça o oxigênio dissolvido final (D2). Valem as diluições que consumiram pelo menos 2,0 mg/L e ficaram com pelo menos 1,0 mg/L de oxigênio no fim.
- ControleRode junto o padrão de glicose e ácido glutâmico. O resultado esperado é 198 ± 30,5 mg/L.
- DBO ou DBOcSem inibidor de nitrificação, o resultado é a DBO₅,₂₀ total, a pedida pela CONAMA 430. Se usar inibidor (ATU), o resultado é a DBO carbonácea (DBOc) e deve sair assim no laudo.
- Alternativa digitalO método respirométrico (frascos com sensor de pressão, tipo OxiTop, Standard Methods 5210 D) lê a DBO direto, sem medir OD. Serve bem para controle de processo; para laudo de lançamento, siga o método de referência exigido pelo órgão ambiental.
Cálculo
- D1: oxigênio dissolvido logo após o preparo (mg/L)
- D2: oxigênio dissolvido após 5 dias a 20 °C (mg/L)
- P: fração da amostra no frasco (ex.: 30 mL em 300 mL = 0,10)
- S: consumo de oxigênio da semente por mL, medido nos frascos só com semente
- Vs: volume de semente no frasco da amostra (mL)
- Faça a média das diluições válidas.
Coleta e preservação
Frasco de vidro ou plástico de 1 L, cheio até a boca. Refrigere a no máximo 6 °C, sem congelar, e comece a análise o quanto antes: até 6 horas é o ideal e o prazo máximo é de 48 horas. Em efluentes, prefira amostra composta de 24 horas, como pede a licença.
Cuidados e segurança
- Esgoto e efluente podem ter patógenos: use luvas, óculos e jaleco, e lave as mãos.
- O inibidor de nitrificação (ATU) é tóxico: manuseie com luvas e descarte como resíduo químico.
- Não contamine a água de diluição com matéria orgânica ou cobre, que invalidam o branco.
Limites de DBO para lançamento de efluentes
A DBO não tem limite para água de beber, porque mede poluição orgânica. Ela é cobrada de quem lança esgoto ou efluente industrial em rios, lagos e no mar. Vale sempre a regra mais restritiva: a federal, a do estado ou a da licença ambiental da empresa.
| Norma | Para quem | Limite de DBO5,20 |
|---|---|---|
| CONAMA 430/2011, art. 21 | Esgoto sanitário tratado (ETE) lançado direto no rio | Máximo de 120 mg/L. Só pode passar disso se a estação remover pelo menos 60% da DBO, ou com estudo de autodepuração do rio. |
| CONAMA 430/2011, art. 16 | Efluente industrial e demais fontes | Remoção mínima de 60% da DBO. Só pode ser menor com estudo de autodepuração que prove que o rio continua na sua classe. |
| Decreto 8.468/1976 (SP), art. 18 | Qualquer efluente lançado em rio no estado de São Paulo | Máximo de 60 mg/L, ou redução de pelo menos 80% da carga de DBO no tratamento. |
Outros estados têm normas próprias, e o órgão ambiental pode fixar na licença um valor menor. Para jogar o efluente na rede pública de esgoto, quem define as condições é a companhia de saneamento da cidade.
DBO no rio (CONAMA 357/2005)
Depois do lançamento, o rio precisa continuar dentro da sua classe: DBO5,20 de até 3 mg/L na classe 1, até 5 mg/L na classe 2 e até 10 mg/L na classe 3.